Podes escrever o currículo mais forte da tua carreira e ainda assim perder por
uma escolha de maquetação. Ao software que lê o teu ficheiro primeiro não lhe
interessa o aspeto que tem. O que ele quer é puxar o teu nome, as tuas funções e
as tuas datas para os campos certos. Se o formato falhar, uma parte impecável da
tua experiência acaba na base de dados como uma mancha que nenhum recrutador vai
procurar.
Formatar para um sistema de gestão de candidaturas (ATS) não é enganar uma
máquina. É tirar do caminho os pequenos obstáculos que fazem a leitura falhar.
Nada disto te custa uma única palavra de conteúdo. É uma lista que percorres uma
vez e reutilizas em cada candidatura.
Uma só coluna, sempre
A decisão de formato mais importante é o número de colunas. Muitos modelos
elegantes partem a página numa barra lateral estreita e numa área principal
larga. Para ti são duas colunas arrumadas. Para um sistema que lê da esquerda
para a direita e de cima para baixo, isto vira muitas vezes um fluxo baralhado:
as tuas competências da barra lateral misturadas linha a linha com o teu
historial profissional.
Usa um esquema de uma só coluna. Nome e contactos no topo e, por baixo, as tuas
secções empilhadas a direito até ao fim da página. Fica mais sóbrio, e é mesmo
esse o objetivo. Um esquema sóbrio lê-se na única ordem que o software espera,
por isso nada se desorganiza.
O mesmo aviso vale para as tabelas e as caixas de texto. Uma grelha de
competências a duas colunas feita com uma tabela sobrevive num sistema e
desmorona-se no seguinte. Se não consegues verificar como o sistema de um
empregador a trata, não arrisques aí a tua secção de competências.
Títulos de secção padrão
Um sistema encontra a tua experiência profissional ao procurar um título que
reconheça. Dá-lhe as palavras óbvias. "Experiência profissional", "Experiência",
"Formação", "Competências" são lidas bem em quase todo o lado.
Os títulos criativos saem-te caro aqui. "Onde fiz a diferença" pode ser verdade,
mas o sistema talvez não arquive o que vem a seguir como o teu historial, e um
recrutador que filtra por experiência nunca o verá. Guarda a personalidade para
os marcadores por baixo. Deixa os títulos serem aborrecidos e fáceis de
encontrar.
Mantém também os teus cargos com uma forma coerente: função, empresa, datas e
depois os marcadores. Quando cada cargo segue o mesmo padrão, tanto o software
como a pessoa que vem a seguir sabem exatamente onde olhar.
Tipos de letra, marcadores e outras pequenas armadilhas de leitura
Umas poucas escolhas sem esforço decidem em silêncio se o teu ficheiro é lido
limpo:
- Tipos de letra. Usa uma fonte comum e legível: Arial, Calibri, Georgia,
Times New Roman ou algo parecido. Os tipos de letra decorativos ou muito
estilizados podem chegar como caracteres errados quando o texto é extraído.
- Símbolos de marcador. Usa um ponto simples, redondo ou quadrado. Os emojis,
as setas, os visos e outros símbolos por vezes caem ou viram lixo de caracteres
na leitura, e deixam um vazio onde devia estar a tua conquista.
- Nada de texto dentro de imagens. Se o teu nome, um gráfico de competências
ou uma "barra de avaliação" vivem dentro de uma imagem, o sistema não lê nada
disso. Tudo o que precisa de ser pesquisado tem de ser texto real e
selecionável.
- Nada de crítico no cabeçalho ou rodapé. Alguns sistemas saltam por completo
a zona de cabeçalho e rodapé. O teu telefone ou o teu email enfiados lá em cima
podem desaparecer. Mantém os contactos no corpo da página.
Nada disto muda o que afirmas. Só garante que a afirmação chega mesmo.
Datas coerentes e um nome de ficheiro limpo
As datas são um campo que o sistema tenta extrair diretamente, e é por isso que um
formato irregular o atrapalha. Escolhe um estilo e mantém-no até ao fim: "jan
2022 - mar 2024" ou "01/2022 - 03/2024". Se misturares "2022" num cargo com
"janeiro 2022" no seguinte, o sistema tem de adivinhar, e um palpite errado pode
encurtar o teu tempo de casa no ecrã.
Escreve a data de fim em vez de te fiares só num símbolo. "mar 2024" ou "Atual"
lê-se com mais segurança do que um traço solitário para um cargo em curso.
Depois dá ao ficheiro um nome como o de um profissional que o entrega.
"Nome-Apelido-CV" ganha a "curriculo_final_v3_MESMO-final". Um nome de ficheiro
claro é fácil de encontrar para um recrutador mais tarde numa pasta com outros
duzentos, e nunca faz mal parecer organizado antes de alguém ter lido uma
palavra.
Quando um anúncio nomeia um tipo de ficheiro, usa-o. Se diz PDF, envia um PDF. Se
o formulário só aceita DOCX, envia DOCX. Um PDF moderno e baseado em texto (um
exportado diretamente do teu editor, não uma digitalização nem uma foto de uma
impressão) é lido limpo pela maioria dos sistemas atuais e mantém a tua
maquetação para o leitor humano.
A armadilha é um PDF que é, às escondidas, uma imagem, como uma captura de ecrã
guardada como PDF. Lá dentro não há texto real para extrair, por isso o sistema vê
uma página em branco. Teste rápido: abre o ficheiro e tenta selecionar uma linha
de texto com o cursor. Se não a consegues realçar, o software também não a
consegue ler.
Onde entra o JobScalr
Um formato limpo é o chão, não o acabamento. O JobScalr é uma app móvel que lê um
anúncio concreto face ao teu currículo, dá-te uma pontuação de compatibilidade
honesta de 0 a 100 com o raciocínio por trás, e reescreve o teu currículo e a tua
carta de apresentação para encaixar nesse anúncio sem inventar competências ou
experiência que não tens. Mantém a estrutura legível para o ATS, para que o
conteúdo em que trabalhaste seja o conteúdo que é mesmo lido. A revisão final
continua a ser tua. Só te poupa o trabalho do formato em cada candidatura.