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Carta de apresentação5 min de leitura

Como começar uma carta de apresentação (a primeira frase que merece a seguinte)

Como começar uma carta de apresentação para que continuem a ler: porque o início do costume está morto, quatro padrões concretos de primeira frase e como prendê-la à vaga.

Uma boa primeira frase tem uma única tarefa: dar vontade de ler a segunda. É essa toda a exigência. Quem abre a tua carta tem uma pilha de candidaturas em cima e muito pouca paciência, e decide numa linha ou duas se continua ou passa ao ficheiro seguinte. Se acertas na primeira frase, ganhas o resto da carta. Se falhas, ninguém chega a ler os parágrafos cuidados que vêm por baixo.

Por isso este artigo é sobre a primeira frase e quase mais nada. Quando o início está bem resolvido, o resto costuma arrumar-se sozinho, porque uma primeira linha forte obriga-te a arrancar com algo específico em vez de pigarrear.

Porque "Venho por este meio candidatar-me a..." está morto

"Venho por este meio candidatar-me ao cargo de Coordenador de Marketing na Acme" é o início mais repetido do mundo e é tinta desperdiçada. Quem lê já sabe a que vaga te candidatas. Viu no assunto, no nome do ficheiro ou no formulário. Gastaste a tua frase mais valiosa a dizer-lhe algo que ele já sabia antes de abrir o documento.

E pior: esse início avisa que o resto da carta vai ser o mesmo modelo que toda a gente envia. Quem lê já viu esse arranque cem vezes este mês, e de cada vez vinha atrás uma carta genérica. Por isso prepara-se para ler na diagonal. Ensinaste-o a saltar-te em dez palavras.

A solução não é uma forma mais engenhosa de dizer "candidato-me". É saltar o aviso por completo e começar com algo que só tu poderias escrever sobre esta vaga em concreto.

O que um bom arranque consegue de facto

Antes dos padrões, o princípio, porque os padrões são só formas de o acertar. Uma primeira frase forte faz duas coisas ao mesmo tempo: prova que leste este anúncio e dá a quem lê um motivo concreto para continuar. O específico ganha ao engenhoso, sempre. Não queres soar impressionante. Queres ser a única candidatura da pilha que claramente pertence a este cargo.

Isso quer dizer que o arranque tem de ser inútil para qualquer outra vaga. Se pudesses colar a tua primeira frase numa candidatura a outra empresa sem mudar uma palavra, é demasiado genérica para ocupar esse lugar. O teste é simples: sobreviveria essa frase se a copiasses para um anúncio rival? Se a resposta for sim, reescreve-a.

Quatro arranques que merecem a frase seguinte

Aqui ficam quatro padrões que funcionam, cada um preso a algo real. Escolhe o que encaixa naquilo que tens mesmo para mostrar.

  • A correspondência direta. Nomeia o requisito que cumpres melhor e reivindica-o sem rodeios. "No teu anúncio dizes que precisas de alguém capaz de gerir paid social sem agência. Foi exatamente isso que fiz durante dois anos, com metade do orçamento." Agora quem lê quer a prova, e a prova é o parágrafo seguinte.
  • O motivo real de quereres esta. Nada de lisonja, um motivo concreto. "Há um ano que uso a vossa aplicação todas as segundas para organizar a semana da minha equipa, por isso o cargo de responsável de apoio chamou-me a atenção no dia em que saiu." Isto só funciona se for verdade e for concreto. "Admiro a vossa missão" não conta.
  • O resultado relevante, à frente. Começa com um resultado que ligue ao cargo. "No ano passado reduzi o tempo de integração de três semanas para quatro dias, que é exatamente o problema que o teu anúncio descreve." Abriste com uma prova, não com uma promessa.
  • A ponte honesta. Para uma mudança de área ou um cargo ambicioso, nomeia o salto e porque faz sentido. "Sou enfermeira e estou a passar para o trabalho de produto em tecnologia da saúde, pelo mesmo motivo que aparece no teu anúncio: há dez anos que vejo o mau software roubar tempo ao pessoal clínico e quero resolver isso." A franqueza sobre o salto soa a confiança, não a fraqueza.

Nenhuma destas frases menciona que te "candidatas". Isso quem lê percebe sozinho.

Como prender o arranque a esta vaga exata

O arranque só funciona se estiver soldado ao anúncio concreto, por isso constrói-o a partir do anúncio. Lê a descrição e encontra a linha que é claramente o coração do cargo, aquilo que mais precisam de resolver. Muitas vezes é o primeiro ponto sob "Funções" ou uma expressão que se repete. Depois escreve uma primeira frase que responda a essa linha diretamente com algo que tu fizeste mesmo.

Dois avisos rápidos. Primeiro: não abras com um requisito que cumpres só a meias. Lidera a partir da força, que as lacunas venham depois, se é que vêm. Segundo: não inventes a correspondência para o arranque resultar. Uma primeira frase que ganha uma entrevista que a tua experiência não aguenta custa-te mais do que um início fraco. Pega num resultado real, ainda que modesto, antes de uma ficção impressionante.

O que evitar na primeira linha

Alguns arranques parecem seguros e custam-te a leitura em silêncio:

  • A história da tua vida. "Desde criança que tenho paixão por marketing." Começa onde começa a relevância, não no teu nascimento.
  • A citação de dicionário, ou qualquer citação. É enchimento disfarçado de profundidade, e quem lê dá por isso.
  • O entusiasmo oco. "Estou encantada por me candidatar a esta empolgante oportunidade." Descreve o teu estado de espírito, não o teu encaixe, e toda a gente o diz.
  • Repetir o teu próprio currículo. "Sou uma profissional orientada para resultados com cinco anos de experiência." Têm o currículo em anexo. Diz-lhes algo que ali não esteja.

O padrão por trás dos quatro: gastam a primeira frase em ti, com palavras que servem para qualquer cargo. Os arranques que funcionam gastam-na neste cargo, com palavras que não servem para nenhum outro.

A JobScalr trata da parte lenta de acertar esse arranque: lê o anúncio concreto contra o teu percurso, mostra-te uma pontuação de encaixe honesta de 0 a 100 com o respetivo raciocínio e redige uma carta de apresentação apontada a esse cargo, para que o ângulo real mais forte da tua primeira frase seja fácil de ver. Nunca inventa experiência que não tens, e a redação final continua a ser tua.

Pronto para afinar a tua próxima candidatura?

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