Uma boa primeira frase tem uma única tarefa: dar vontade de ler a segunda. É essa
toda a exigência. Quem abre a sua carta tem uma pilha de candidaturas em cima e
muito pouca paciência, e decide em uma linha ou duas se continua ou passa para o
próximo arquivo. Se você acerta na primeira frase, ganha o resto da carta. Se
erra, ninguém chega a ler os parágrafos caprichados que vêm logo abaixo, por mais que você tenha acertado no tamanho de carta de apresentação que é lido.
Por isso este artigo é sobre a primeira frase e quase nada mais. Quando a abertura
está bem resolvida, o resto costuma se arrumar sozinho, porque uma primeira linha
forte obriga você a começar com algo específico em vez de ficar enrolando.
Por que "Venho por meio desta me candidatar a..." está morto
"Venho por meio desta me candidatar ao cargo de Coordenador de Marketing na Acme" é
a abertura mais repetida do mundo e é tinta desperdiçada. Quem lê já sabe para qual
vaga você está se candidatando. Viu no assunto, no nome do arquivo ou no formulário.
Você gastou sua frase mais valiosa dizendo algo que a pessoa já sabia antes de abrir
o documento.
E pior: essa abertura avisa que o resto da carta vai ser o mesmo modelo que todo
mundo manda. Quem lê já viu esse começo cem vezes neste mês, e toda vez vinha atrás
uma carta genérica. Então a pessoa já se prepara para ler por cima. Você ensinou ela
a pular você em dez palavras.
A solução não é uma forma mais engenhosa de dizer "me candidato". É pular o aviso
por completo e começar com algo que só você poderia escrever sobre esta vaga
específica.
O que uma boa abertura realmente entrega
Antes dos modelos, o princípio, porque os modelos são só formas de acertá-lo. Uma
primeira frase forte faz duas coisas ao mesmo tempo: prova que você leu este anúncio
e dá a quem lê um motivo concreto para continuar. O específico ganha do engenhoso,
sempre. Você não quer soar impressionante. Você quer ser a única candidatura da
pilha que claramente pertence a este cargo.
Isso quer dizer que a abertura tem que ser inútil para qualquer outra vaga. Se você
pudesse colar sua primeira frase numa candidatura para outra empresa sem trocar uma
palavra, ela é genérica demais para ocupar esse lugar. O teste é simples: essa frase
sobreviveria se você a copiasse para um anúncio concorrente? Se a resposta for sim,
reescreva.
Quatro aberturas que merecem a próxima frase
Aqui vão quatro modelos que funcionam, cada um preso a algo real. Escolha o que
encaixa naquilo que você tem de fato para mostrar.
- A correspondência direta. Nomeie o requisito que você cumpre melhor e reivindique
ele sem rodeios. "No seu anúncio você diz que precisa de alguém capaz de gerir paid
social sem agência. Foi exatamente isso que fiz durante dois anos, com metade do
orçamento." Agora quem lê quer a prova, e a prova é o próximo parágrafo.
- O motivo real de você querer esta. Nada de bajulação, um motivo concreto. "Há um
ano uso o aplicativo de vocês toda segunda para organizar a semana da minha equipe,
por isso a vaga de responsável pelo suporte me chamou a atenção no dia em que
saiu." Isso só funciona se for verdade e for concreto. "Admiro a missão de vocês"
não conta.
- O resultado relevante, lá na frente. Comece com um resultado que se conecte ao
cargo. "No ano passado reduzi o tempo de integração de três semanas para quatro dias,
que é exatamente o problema que o seu anúncio descreve." Você abriu com uma prova,
não com uma promessa.
- A ponte honesta. Para uma carta de apresentação para uma mudança de carreira ou um cargo ambicioso, nomeie o
salto e por que ele faz sentido. "Sou enfermeira e estou migrando para o trabalho de
produto em tecnologia da saúde, pelo mesmo motivo que aparece no seu anúncio: há
dez anos vejo o software ruim roubar tempo do pessoal clínico e quero resolver
isso." A franqueza sobre o salto soa como confiança, não como fraqueza.
Nenhuma dessas frases menciona que você "está se candidatando". Isso quem lê entende
sozinho.
Como prender a abertura a esta vaga exata
A abertura só funciona se estiver soldada ao anúncio concreto, então construa ela a
partir do anúncio. Leia a descrição e encontre a linha que é claramente o coração do
cargo, aquilo que mais precisam resolver. Muitas vezes é o primeiro item em
"Atribuições" ou uma expressão que se repete. Depois escreva uma primeira frase que
responda a essa linha diretamente com algo que você de fato fez.
Dois avisos rápidos. Primeiro: não abra com um requisito que você cumpre só pela
metade. Lidere a partir da força, que as lacunas venham depois, se é que vêm.
Segundo: não invente a correspondência só para a abertura funcionar. Uma primeira
frase que ganha uma entrevista que a sua experiência não sustenta custa mais caro do
que uma abertura fraca. Pegue um resultado real, ainda que modesto, em vez de uma
ficção impressionante.
O que evitar na primeira linha
Algumas aberturas parecem seguras e custam a sua leitura no silêncio:
- A história da sua vida. "Desde criança tenho paixão por marketing." Comece onde
começa a relevância, não no seu nascimento.
- A citação de dicionário, ou qualquer citação. É enchimento disfarçado de
profundidade, e quem lê percebe.
- O entusiasmo oco. "Estou encantada em me candidatar a esta empolgante
oportunidade." Você descreve seu estado de espírito, não o seu encaixe, e todo mundo
diz isso.
- Repetir o seu próprio currículo. "Sou uma profissional orientada para
resultados com cinco anos de experiência." A pessoa tem o currículo anexado. Diga
algo que não esteja lá.
O padrão por trás dos quatro: gastam a primeira frase em você, com palavras que
servem para qualquer cargo. As aberturas que funcionam gastam ela neste cargo, com
palavras que não servem para nenhum outro.
A JobScalr cuida da parte lenta de acertar essa abertura: lê o anúncio concreto
contra o seu histórico, mostra uma pontuação de encaixe honesta de 0 a 100 com o
respectivo raciocínio e redige uma carta de apresentação apontada para esse cargo,
para que o ângulo real mais forte da sua primeira frase fique fácil de enxergar.
Nunca inventa experiência que você não tem, e a redação final continua sendo sua.