O comprimento de carta de apresentação que é lido (e não posto de lado)
O comprimento de carta de apresentação que é lido é menor do que pensas. Quanto deve medir, o que cortar e a primeira frase que merece a seguinte.
O comprimento de carta de apresentação que é lido é menor do que pensas. Quanto deve medir, o que cortar e a primeira frase que merece a seguinte.
Quem abre a tua carta de apresentação já traz uma pergunta na cabeça: continuo a ler ou passo à candidatura seguinte? Se a resposta não ficar clara nos primeiros segundos, ninguém lê o resto, por mais cuidada que esteja a tua escrita. Não é uma questão de comprimento em si. É uma questão de seres lido, e o comprimento é a ferramenta que protege isso.
Em resumo: aponta para 150 a 250 palavras, três ou quatro parágrafos curtos, num único ecrã. Comprido o suficiente para defenderes algo concreto, curto o suficiente para que uma pessoa ocupada chegue ao fim.
Ninguém é obrigado a ler a tua carta até ao fim. Quem analisa uma pilha de candidaturas dá uma vista de olhos rápida a cada uma, decide se vale uma segunda leitura e segue em frente. Uma parede de texto parece esforço, mas esforço gasto em ti, não em quem lê. Três parágrafos limpos que nomeiam a vaga, provam uma coisa relevante e propõem uma conversa respeitam o tempo de quem lê. E mostram que consegues pensar com clareza em pouco espaço. Esse segundo sinal pesa mais do que quase toda a gente imagina: escrever com clareza é uma competência de trabalho, e a carta é uma amostra ao vivo dela.
A tua primeira frase tem uma só tarefa: tornar a segunda digna de ser lida. A maioria desperdiça-a. "Venho candidatar-me ao cargo de Coordenador de Marketing" não diz a quem lê nada que já não soubesse pelo assunto. Não merece nada.
Começa pela coisa concreta que te faz encaixar, ou por um motivo pelo qual esta empresa em particular te interessa. "No vosso anúncio procuram alguém que faça paid social sem agência. É exatamente isso que faço há dois anos, com metade do orçamento." Agora quem lê quer a prova. É esse o truque todo: cada linha deve deixar a pessoa com vontade da seguinte. Se uma frase não faz isso, é enchimento. E o enchimento é precisamente o que cortas para ajustar o número de palavras.
A maioria das cartas incha sempre nos mesmos sítios. Corta isto e ficas perto das 200 palavras sem perderes nada que importasse.
Depois do corte, cada frase que sobrar deve apontar para uma de duas coisas: porque encaixas nesta vaga, ou porque queres precisamente esta.
"Não passes de uma página" é o conselho que toda a gente repete, e mais do que errado é preguiçoso. Numa página cabem 600 palavras em letra pequena, e 600 palavras são demais para quase qualquer carta. A regra a sério olha para a atenção de quem lê, não para o papel: um ecrã, sem scroll, lida em menos de um minuto. Isso é quase sempre mais curto do que uma página inteira.
Há exceções. Uma mudança de carreira às vezes precisa de uma frase ou duas de contexto para que o salto faça sentido. Um cargo sénior com muito trabalho de relação admite um pouco mais. Mas "eu podia escrever mais" raramente é o mesmo que "eles vão ler mais". Na dúvida, corta.
Sê honesto sobre os casos em que a carta faz pouco. Numa candidatura em massa por um portal online que passa primeiro por um sistema de gestão de candidaturas, um currículo forte e bem ajustado faz quase todo o trabalho, e uma carta genérica não muda nada. Gastar uma hora ali é esforço mal aplicado.
Ganha o seu lugar quando uma pessoa a lê antes de decidir: uma empresa mais pequena, uma vaga que persegues a sério, uma recomendação, uma mudança de carreira que precisa de explicação, ou um anúncio que a exige claramente e fala a sério. Aí uma carta curta, concreta e bem apontada pode ser o que te tira da pilha dos "talvez" para a entrevista.
A maioria faz ao contrário: uma carta longa e genérica para cada emprego, e uma curta e atabalhoada para o que quer mesmo. Inverte isso.
A JobScalr trata da parte que mais demora: lê o anúncio, redige uma carta apontada exatamente a essa vaga e mostra-te uma pontuação de compatibilidade honesta de 0 a 100 com o raciocínio por trás, para que antes de enviares vejas onde encaixas a sério e onde ficas curto. Nunca inventa experiência que não tens, e a decisão final continua a ser tua. Essa é a parte que não devias delegar.
Pronto para afinar a tua próxima candidatura?
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