Como escrever conquistas no currículo que mostram impacto
Transforma as bullets de tarefas em conquistas reais no currículo com um padrão simples de ação mais resultado, números honestos e o que escrever quando não tens números.
Transforma as bullets de tarefas em conquistas reais no currículo com um padrão simples de ação mais resultado, números honestos e o que escrever quando não tens números.
Quem passa os olhos pelo teu currículo não pergunta por aquilo de que eras responsável. Pergunta o que mudou por teres estado ali. A maioria das bullets responde só à primeira parte e salta a segunda, e é por isso que uma página cheia de tarefas se lê como uma descrição de função que alguém te devolveu copiada.
A solução não são palavras mais bonitas. É uma pequena mudança naquilo que cada linha foi feita para provar. Aqui ficas a saber como transformar uma lista de tarefas numa lista de resultados, como pôr números honestos por trás e o que escrever quando não tens número nenhum.
Uma bullet de tarefa descreve a função. "Responsável pela gestão do processo de integração" diz apenas em que caixa estavas sentado. Tanto serve para quem fez o trabalho mal como para quem o fez de forma brilhante, por isso não te coloca em lado nenhum.
Uma bullet de impacto descreve o resultado. "Reformulei a integração para que os novos colaboradores entregassem o primeiro projeto na primeira semana em vez da terceira" diz aquilo que realmente moveste. A mesma função, um sinal completamente diferente. Uma pede que confiem em ti às cegas, a outra põe a prova em cima da mesa.
Lê o teu currículo atual e marca cada linha que continuaria a ser verdadeira mesmo que não tivesses feito nada de útil. Essas são as tuas bullets de tarefa. São essas que tens de reescrever.
Toda a bullet forte tem duas metades: aquilo que fizeste e aquilo que daí resultou. Escreve primeiro a ação e depois obriga-te a fechar a frase com o resultado.
É na segunda metade que está o valor, e é precisamente essa que quase todos deixam cair. Um teste rápido: depois de escreveres uma bullet, pergunta "e então?" em voz alta. Se a linha não responder, paraste a meio do caminho. Mantém também o verbo concreto. "Liderei", "criei", "reduzi", "lancei" e "corrigi" têm peso. "Colaborei em", "participei em" ou "ajudei a" dizem baixinho ao leitor que estavas por perto, não ao comando.
Quantificar parece exigir um departamento financeiro e um dashboard. Quase sempre basta olhar para números que já estavam no teu trabalho. A maioria dos empregos produz números concretos que nunca pensaste em anotar.
A regra que te protege: usa apenas um número que conseguisses explicar se alguém perguntasse como lá chegaste. Um valor que não consigas defender numa entrevista é pior do que nenhum, porque desfaz-se assim que um recrutador aperta, e fica ali a pensar no que mais terás arredondado para cima.
Muito trabalho real e valioso nunca veio com uma métrica. Se inventas uma para tapar o buraco, estás a apostar a tua credibilidade num número que tiraste do nada. Não o faças. Há formas honestas de mostrar impacto sem uma percentagem.
Descreve o antes e o depois em palavras claras. "Substituí a passagem manual por folha de cálculo por um registo partilhado, e duas equipas deixaram de duplicar o trabalho uma da outra" não tem número e mostra na mesma um resultado claro. Refere o alcance: um projeto que afetou a empresa inteira lê-se maior do que um que afetou só a tua secretária, e dizê-lo não é exagero, é contexto. Aponta para resultados pelos quais consegues dar a cara mesmo sem os medir: um processo que montaste e que ainda corre, uma ferramenta que a equipa adotou, um problema recorrente que deixou de acontecer depois da tua mudança.
Também podes recorrer a uma comparação em vez de uma estatística. "Primeira pessoa da equipa a automatizar o relatório semanal" é um facto sobre a tua iniciativa, não uma métrica fabricada. O objetivo é o mesmo que com os números: dar ao leitor algo concreto e verdadeiro para imaginar, para que a bullet deixe de ser uma afirmação e passe a ser uma prova.
Mais um passo transforma uma boa bullet numa bullet relevante. Os resultados que contam são os que o anúncio pede, por isso coloca-os no topo de cada função e deixa o resto por baixo.
Se o anúncio abre com gestão de stakeholders, a bullet em que puseste três departamentos de acordo sobre um roteiro fica perto do topo, mesmo que outra conquista te pareça mais impressionante. Não escondes nada por colocares primeiro a tua prova mais forte e mais relevante. Estás apenas a ler a situação. Um relance rápido cai no terço superior da página, por isso é aí que tem de estar a tua melhor prova para esta vaga em concreto.
Reescrever bullets para cada anúncio é demorado, e é precisamente essa a parte que vale a pena delegar. A JobScalr lê um anúncio concreto contra o teu currículo, dá-te uma pontuação de correspondência honesta de 0 a 100 com o raciocínio por trás, e reescreve o teu currículo e a tua carta de apresentação para encaixar na função sem inventar competências ou conquistas que não tens. Não se candidata por ti, e a última leitura continua a ser tua. Tira-te de cima a comparação repetitiva para gastares o teu tempo nas vagas em que realmente encaixas.
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