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Currículo5 min de leitura

Como escrever conquistas no currículo que mostram impacto

Transforma as bullets de tarefas em conquistas reais no currículo com um padrão simples de ação mais resultado, números honestos e o que escrever quando não tens números.

Quem passa os olhos pelo teu currículo não pergunta por aquilo de que eras responsável. Pergunta o que mudou por teres estado ali. A maioria das bullets responde só à primeira parte e salta a segunda, e é por isso que uma página cheia de tarefas se lê como uma descrição de função que alguém te devolveu copiada.

A solução não são palavras mais bonitas. É uma pequena mudança naquilo que cada linha foi feita para provar. Aqui ficas a saber como transformar uma lista de tarefas numa lista de resultados, como pôr números honestos por trás e o que escrever quando não tens número nenhum.

Porque é que as bullets de tarefas passam ao lado

Uma bullet de tarefa descreve a função. "Responsável pela gestão do processo de integração" diz apenas em que caixa estavas sentado. Tanto serve para quem fez o trabalho mal como para quem o fez de forma brilhante, por isso não te coloca em lado nenhum.

Uma bullet de impacto descreve o resultado. "Reformulei a integração para que os novos colaboradores entregassem o primeiro projeto na primeira semana em vez da terceira" diz aquilo que realmente moveste. A mesma função, um sinal completamente diferente. Uma pede que confiem em ti às cegas, a outra põe a prova em cima da mesa.

Lê o teu currículo atual e marca cada linha que continuaria a ser verdadeira mesmo que não tivesses feito nada de útil. Essas são as tuas bullets de tarefa. São essas que tens de reescrever.

O padrão de ação mais resultado

Toda a bullet forte tem duas metades: aquilo que fizeste e aquilo que daí resultou. Escreve primeiro a ação e depois obriga-te a fechar a frase com o resultado.

  • Só ação: "Criei um painel de relatórios semanal."
  • Ação mais resultado: "Criei um painel de relatórios semanal que a equipa de vendas usava para planear o pipeline, o que reduziu a reunião de estado de segunda-feira de uma hora para quinze minutos."

É na segunda metade que está o valor, e é precisamente essa que quase todos deixam cair. Um teste rápido: depois de escreveres uma bullet, pergunta "e então?" em voz alta. Se a linha não responder, paraste a meio do caminho. Mantém também o verbo concreto. "Liderei", "criei", "reduzi", "lancei" e "corrigi" têm peso. "Colaborei em", "participei em" ou "ajudei a" dizem baixinho ao leitor que estavas por perto, não ao comando.

Números que já tens

Quantificar parece exigir um departamento financeiro e um dashboard. Quase sempre basta olhar para números que já estavam no teu trabalho. A maioria dos empregos produz números concretos que nunca pensaste em anotar.

  • Dinheiro. Orçamento que geriste, receita que tocaste, custos que cortaste. "Geri um orçamento de campanha de 40.000 euros" é concreto e demonstrável.
  • Percentagens. Uma taxa que subiu ou desceu, mas só se a tiveres medido. Taxa de erro, abandono, conversão, entregas no prazo.
  • Pessoas. Dimensão da equipa, número de clientes, gente que formaste ou integraste. "Integrei 12 novos colaboradores em dois escritórios" é um número real.
  • Volume. Tickets fechados, artigos publicados, utilizadores apoiados, processos tratados por mês.
  • Tempo. Quanto demorava algo antes e depois de o teres mudado. "Reduzi o fecho mensal de cinco dias para dois" é uma das bullets mais credíveis que podes escrever, porque qualquer pessoa na sala consegue imaginar.

A regra que te protege: usa apenas um número que conseguisses explicar se alguém perguntasse como lá chegaste. Um valor que não consigas defender numa entrevista é pior do que nenhum, porque desfaz-se assim que um recrutador aperta, e fica ali a pensar no que mais terás arredondado para cima.

Quando não tens números concretos

Muito trabalho real e valioso nunca veio com uma métrica. Se inventas uma para tapar o buraco, estás a apostar a tua credibilidade num número que tiraste do nada. Não o faças. Há formas honestas de mostrar impacto sem uma percentagem.

Descreve o antes e o depois em palavras claras. "Substituí a passagem manual por folha de cálculo por um registo partilhado, e duas equipas deixaram de duplicar o trabalho uma da outra" não tem número e mostra na mesma um resultado claro. Refere o alcance: um projeto que afetou a empresa inteira lê-se maior do que um que afetou só a tua secretária, e dizê-lo não é exagero, é contexto. Aponta para resultados pelos quais consegues dar a cara mesmo sem os medir: um processo que montaste e que ainda corre, uma ferramenta que a equipa adotou, um problema recorrente que deixou de acontecer depois da tua mudança.

Também podes recorrer a uma comparação em vez de uma estatística. "Primeira pessoa da equipa a automatizar o relatório semanal" é um facto sobre a tua iniciativa, não uma métrica fabricada. O objetivo é o mesmo que com os números: dar ao leitor algo concreto e verdadeiro para imaginar, para que a bullet deixe de ser uma afirmação e passe a ser uma prova.

Ajusta o impacto à vaga

Mais um passo transforma uma boa bullet numa bullet relevante. Os resultados que contam são os que o anúncio pede, por isso coloca-os no topo de cada função e deixa o resto por baixo.

Se o anúncio abre com gestão de stakeholders, a bullet em que puseste três departamentos de acordo sobre um roteiro fica perto do topo, mesmo que outra conquista te pareça mais impressionante. Não escondes nada por colocares primeiro a tua prova mais forte e mais relevante. Estás apenas a ler a situação. Um relance rápido cai no terço superior da página, por isso é aí que tem de estar a tua melhor prova para esta vaga em concreto.

Onde entra a JobScalr

Reescrever bullets para cada anúncio é demorado, e é precisamente essa a parte que vale a pena delegar. A JobScalr lê um anúncio concreto contra o teu currículo, dá-te uma pontuação de correspondência honesta de 0 a 100 com o raciocínio por trás, e reescreve o teu currículo e a tua carta de apresentação para encaixar na função sem inventar competências ou conquistas que não tens. Não se candidata por ti, e a última leitura continua a ser tua. Tira-te de cima a comparação repetitiva para gastares o teu tempo nas vagas em que realmente encaixas.

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