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Currículo7 min de leituraPor Marcel

Como mostrar soft skills no currículo sem inventar

Soft skills listadas como adjetivo o recrutador ignora. Veja como provar soft skills no currículo sem inventar um número.

Soft skills são comportamentos como comunicação ou trabalho em equipe, que aparecem numa situação, não rótulos que você tem. Como adjetivos soltos, o recrutador ignora: ninguém acredita na sua autoavaliação. Prove cada uma num tópico de experiência com uma situação concreta e o resultado, e escolha só as duas ou três que a vaga pede.

A vaga pede "excelente comunicação, trabalho em equipe e atitude proativa". Então você abre o currículo, acha a seção de habilidades e digita as três. Dez segundos, pronto.

O problema é que o recrutador lê essa linha em menos tempo ainda e não aprende nada. O currículo logo abaixo na pilha afirma a mesma coisa. Ninguém escreve "comunicação ruim, trabalho mal em equipe". Soft skills são as linhas mais repetidas e menos acreditadas de um currículo. Justamente por isso, o jeito como você lida com elas decide se você se destaca da pilha ou some dentro dela.

O essencial

  • Uma soft skill é um comportamento numa situação, não um rótulo que você tem. "Liderança" numa lista é uma afirmação; "liderei um time de cinco numa migração de seis meses" é algo que o recrutador consegue pesar.
  • O conselho padrão de "prove com um número" é a fonte das métricas inventadas. Se você não tem um número real, ancore a soft skill num fato verificável: um projeto, uma pessoa, uma decisão que uma ex-colega confirmaria.
  • Escolha duas ou três soft skills que a vaga pede, prove-as nos tópicos da sua experiência e deixe a lista de adjetivos de fora.

O que são soft skills, afinal?

Soft skills são os comportamentos que moldam como você trabalha: comunicação, trabalho em equipe, adaptabilidade, resolução de problemas, liderança. São a contraparte das hard skills, as habilidades técnicas que se aprendem e se testam, como Python, contabilidade fiscal ou solda industrial. Uma hard skill você demonstra na hora. Uma soft skill só existe como algo que você fez, numa situação concreta, com outras pessoas envolvidas.

Essa diferença decide tudo. Você escreve "SQL" na seção de habilidades e, na entrevista, recebe uma consulta para provar. "Adaptável" você não prova do mesmo jeito, porque adaptabilidade não é algo que você tenha no abstrato. É um padrão na sua história. E por isso a seção de habilidades, um índice de termos que dá para buscar, é o lugar errado para ela.

Por que o recrutador ignora soft skills listadas?

Porque uma soft skill listada é uma autoavaliação, e autoavaliação é o único tipo de prova em que uma decisão de contratação não pode se apoiar. Se você dá a própria nota de comunicação, claro que passa.

Aqui vai o teste que o recrutador aplica sem pensar: uma pessoa totalmente diferente, num trabalho totalmente diferente, escreveria a mesma palavra sem piscar? "Trabalho em equipe", "proativo" e "boa comunicação" passam nesse teste, então não carregam informação. São o equivalente, no currículo, de "gosto de rir" num perfil de namoro. As palavras não são falsas. Só são impossíveis de refutar, e o que não dá para refutar não serve a quem decide quem chamar.

Como mostrar uma soft skill no currículo sem inventar?

Você tira ela da lista e coloca na sua experiência, onde aparece como resultado e não como rótulo. Quatro passos:

  1. Escolha a soft skill em torno da qual a vaga gira. Leia a descrição e ache o comportamento que ela repete: essa função vive de comunicação, de calma sob pressão, de coordenar gente que não se reporta a você?
  2. Ache um momento real em que ela apareceu. Uma situação com um antes e um depois. Não "sou organizado", e sim o trimestre em que você assumiu um processo que vivia atrasando e ele parou de atrasar.
  3. Escreva um tópico que mostre o resultado e deixe a habilidade sem nome. "Refiz o checklist de passagem de clientes depois que duas contas saíram num mês; zero saídas nos seis meses seguintes." Ninguém precisa da palavra "organizado". Dá para ver.
  4. Ancore o tópico em algo verificável. A prova mais forte é um fato que uma ex-colega confirmaria por telefone: um projeto com nome, uma decisão que você tomou, uma pessoa que você treinou. Esse é o teste da testemunha, a versão honesta de "põe uma métrica".

É nesse último ponto que o conselho de sempre desanda em silêncio. Todo guia manda você grudar um número nas soft skills, e um número real é ótimo. Mas um número que você inventa para maquiar "melhorei a colaboração do time em 25%" é uma invenção, e é a primeira coisa que uma checagem de referência ou uma repergunta derruba. Quando você não tem métrica, recorra a um fato verificável em vez de um valor que só soa bem. A mesma disciplina vale para escrever tópicos de currículo sem números: uma prova vence uma precisão que não é real.

Quais soft skills colocar no currículo?

Duas ou três, escolhidas pelo que a vaga pede e pelo que o nível exige. Uma função de gestão filtra pesado por liderança e capacidade de motivar; uma função de contato com o cliente filtra por comunicação e jogo de cintura; uma função de pesquisa, por rigor e autonomia. Ajuste seus exemplos a isso e corte tudo que o trabalho não pede, por mais orgulho que você tenha.

Onde as habilidades ficam importa tanto quanto quais você escolhe. Deixe sua seção de habilidades para as técnicas concretas e pesquisáveis, as ferramentas e métodos que um recrutador ou um sistema de rastreamento (ATS) consegue buscar, e deixe as soft skills morarem como prova nos tópicos da sua experiência. Quando reescrevi meu próprio currículo, "boa comunicação" foi a primeira linha que tirei do bloco de habilidades, e a única coisa que se perdeu foi enchimento.

Um currículo consegue provar uma soft skill?

Não. Esse é o limite honesto que vale dizer em voz alta: um currículo consegue deixar uma soft skill crível o bastante para alguém querer testá-la. O teste é a entrevista, em especial as perguntas de comportamento ("me conta uma vez que você resolveu um conflito"), onde você tem que trazer a situação e explicar o que fez. Se o seu tópico é real, essa conversa é fácil, porque você só amplia uma história verdadeira que já colocou no papel. Se o tópico foi inventado, é nessa mesma conversa que ele cai.

E também para quem este texto não é. Se você se candidata a uma função cujo filtro é uma lista de requisitos técnicos, um certificado específico, cinco anos num sistema com nome, então lapidar tópicos de soft skill é tempo que rende mais em outro lugar. Soft skills costumam decidir a contratação depois que você está na sala, não se você entra nela.

Pela mesma razão vale a pena colocar honestidade nas ferramentas que você usa. O Jobscalr, por exemplo, empurra seus tópicos para resultados concretos quando adapta um currículo a uma vaga, e quando uma habilidade que a vaga pede falta na sua história, ele pergunta em vez de inventar. Um programa que falsificasse uma prova de soft skill para você só automatizaria o erro de que trata este texto inteiro. Para mais sobre o que o recrutador lê primeiro, a seção de currículo do blog vai mais fundo.

Perguntas frequentes sobre soft skills no currículo

Preciso de uma seção separada só para soft skills?

Quase sempre não. Um bloco solto de "comunicação, trabalho em equipe, liderança" é a versão que o recrutador pula, porque é uma lista de traços autoavaliados sem prova. Deixe a seção de habilidades para as técnicas e pesquisáveis, e leve as comportamentais para os tópicos da experiência, onde elas aparecem como resultado.

Quantas soft skills devo colocar?

Duas ou três provadas vencem dez afirmadas. Um conjunto enxuto que combina com a vaga se lê como algo deliberado; uma lista longa e genérica se lê como enchimento e dilui as que contam. Escolha os comportamentos aos quais a descrição da vaga volta e prove esses.

Quais soft skills estão mais em alta agora?

As vagas rondam de novo e de novo comunicação, adaptabilidade, resolução de problemas, trabalho em equipe e liderança, e o próprio estudo de talento do LinkedIn achou que a grande maioria dos profissionais de recrutamento valoriza soft skills tanto quanto ou mais que hard skills. Mas a resposta certa é a que a sua vaga específica nomeia, não uma lista global.

Posso citar uma soft skill no resumo profissional?

Pode, mas junte a ela algo concreto na mesma frase. "Gestora de operações adaptável" sozinho é mais um adjetivo; "gestora de operações que refez os fluxos de três times depois de reestruturações" mostra a adaptabilidade em vez de afirmá-la. Use o resumo profissional para antecipar a sua prova, não para empilhar mais traços.

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