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Objetivo profissional no currículo: quando usar e como escrever

Um objetivo só merece o espaço quando responde a uma pergunta que o seu currículo já levanta. Como escrever um, e quando cortar.

Um objetivo profissional merece o espaço só quando o seu currículo levanta uma pergunta que ele mesmo não responde: uma mudança de área, nenhuma experiência ainda, uma mudança para outra cidade. Senão, corte e use um resumo. Se mantiver, responda a essa dúvida com um detalhe concreto, não com ambição genérica.

Você está saindo da sala de aula para a coordenação de projetos. Abre três guias e os três dizem que no topo vai um objetivo profissional. Então você escreve a frase que aparece em todo exemplo: "Profissional motivada em busca de uma posição desafiadora com oportunidade de crescimento." Aí fica olhando para ela. Poderia ser de qualquer pessoa se candidatando a qualquer coisa. Você já desconfia que um recrutador vai pular essa linha de relance. E acerta.

Essa frase é exatamente o problema que metade da internet tem com objetivos. A maioria dos guias manda você escrever um, te dá uma fórmula de preencher lacunas e, no parágrafo seguinte, avisa para não soar genérico. A fórmula é o motivo de você soar genérico.

O essencial

  • Um objetivo só merece o espaço quando responde a uma pergunta real que o seu currículo levanta (por que essa área, por que essa cidade, por que esse nível). Se não levanta nenhuma, corte.
  • "Em busca de uma posição desafiadora com crescimento" é peso morto: descreve o que você quer, e recrutadores procuram o que você oferece.
  • Com dois anos ou mais na mesma área, um resumo profissional quase sempre ganha do objetivo. O objetivo é para quando a sua trajetória não se explica sozinha.

Você precisa mesmo de um objetivo profissional?

Provavelmente não, e esse é o ponto de partida honesto. Quem tem alguns anos em uma área entrega, com um objetivo, o espaço mais valioso da página para dizer algo que o resto do currículo já comprova. O estudo de rastreamento ocular da The Ladders, aquele citado em todo lugar, mediu a primeira olhada do recrutador em cerca de sete segundos, e você não quer gastá-los com as suas aspirações.

Você precisa de um objetivo só quando o seu currículo levanta uma pergunta que ele mesmo não responde. Numa mudança de área, a trajetória aponta para o lado errado. Quem está começando não tem trajetória que aponte para lugar nenhum. Quem se candidata em outra cidade parece um engano até explicar. Em cada caso, o recrutador tem uma dúvida antes mesmo de chegar à sua experiência, e o objetivo é o único lugar para resolvê-la de antemão.

O que faz um objetivo valer o espaço?

Um bom objetivo não é uma lista das suas metas. É a resposta à dúvida que o seu currículo cria. Essa única mudança de foco corrige quase tudo que as pessoas erram.

Pegue a professora que vai para a coordenação de projetos. A versão genérica ("em busca de uma posição desafiadora com crescimento") não diz ao recrutador nada que ele já não temesse. A versão útil nomeia a virada e a ponte: "Ex-professora do ensino médio em transição para a coordenação de projetos, com três anos conduzindo implantações de currículo escolar em quatro unidades dentro de prazos e orçamentos fixos." Agora o recrutador sabe por que uma professora está na pilha dele, e tem um motivo para continuar lendo. A primeira frase preenche um campo. A segunda derruba uma objeção.

Aqui a honestidade também conta. Um objetivo pode explicar uma ligação que existe de verdade. Não pode fabricar uma adequação que você não tem. Se você nunca coordenou nada, nenhuma frase no topo da página resolve isso, e o recrutador percebe rápido as aberturas infladas. A função do objetivo é apontar para o que é verdadeiro no seu currículo e interessa à vaga, não inventar algo.

Objetivo ou resumo profissional: qual usar?

Use um resumo quando a sua experiência recente já combina com a vaga, e um objetivo quando ainda não. O resumo olha para trás e abre com provas: o que você fez, os resultados, os números. O objetivo olha para a frente e explica a direção. Se você consegue abrir com uma conquista concreta que combina com a vaga, faça isso, sempre. O resumo ganha porque mostra valor em vez de pedir uma chance.

Então a decisão é rápida. Histórico sólido na mesma área? Escreva um resumo profissional e deixe o objetivo de fora. Primeiro emprego, mudança de área, volta depois de uma pausa longa ou mudança de cidade? Um objetivo pode carregar o contexto que um resumo ainda não tem o que resumir. Escolha um. Nunca empilhe os dois, e nunca deixe um objetivo vazio num currículo que não precisava dele.

Como escrever um que não seja genérico?

Parta da pergunta não dita do recrutador e responda em duas frases, com as palavras da vaga. Tire "busco" e "em busca de" de vez. Essas palavras apontam para o que você quer. Abra com o que você é e a prova real mais próxima que tiver, e então nomeie o cargo com o título exato do anúncio, porque é essa palavra que tanto o recrutador quanto o sistema de gestão de candidaturas escaneiam.

Um exemplo para quem está começando: "Formada em ciência da computação com dois estágios construindo painéis internos em React, mirando a vaga de desenvolvimento front-end do time de plataforma de vocês." Diz um fato, dá uma prova e nomeia o cargo. A maioria dos guias coloca o tamanho em duas a três frases, e está certo: longo o bastante para dar contexto, curto o bastante para ninguém pular.

Leia o seu rascunho e se pergunte só uma coisa: essa frase poderia ser de outro candidato para outra vaga? Se a resposta é sim, ainda não é um objetivo, é enchimento. A solução nunca é um adjetivo mais forte. É um detalhe que só você poderia escrever, apontado direto para a dúvida que o resto do seu currículo deixa em aberto.

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