Resumo profissional no currículo: como não virar enrolação
Um resumo profissional funciona quando faz uma afirmação concreta e a comprova. Veja como escrever um que os recrutadores realmente leem.
Um resumo profissional funciona quando faz uma afirmação concreta e a comprova. Veja como escrever um que os recrutadores realmente leem.
A primeira coisa que um recrutador vê no seu currículo são as três ou quatro linhas embaixo do seu nome. Você provavelmente escreveu algo como "Profissional orientado a resultados, apaixonado por comunicação e com histórico comprovado de sucesso." Parece seguro. Só que lê igualzinho aos outros 60 currículos da mesma pilha, e esse é o problema.
Um recrutador contou que, para uma única vaga, 61 de 84 currículos começavam com alguma versão de "profissional orientado a resultados, apaixonado por...". Se o seu resumo pudesse ser colado no currículo de um estranho sem ninguém perceber, ele não está resumindo você. Está só ocupando o espaço mais valioso da página para não dizer nada.
O essencial
Um resumo profissional são duas a quatro frases no topo do currículo que dizem quem você é profissionalmente e logo trazem a prova mais forte disso. A função dele não é te descrever em adjetivos. A função é fazer o recrutador decidir, em uns sete segundos, que vale a pena ler o resto da página.
Isso muda tudo. Um resumo é uma afirmação mais a prova dela, comprimidas. "Customer Success Manager" é a afirmação. "Reduzi o cancelamento de 9% para 5% numa carteira de 400 contas em 18 meses" é a prova. Adjetivos como dedicado, apaixonado, dinâmico não provam nada e aqui só enchem espaço e te fazem soar igual ao candidato anterior. Comece pelo fato que um recrutador não teria como adivinhar sobre você, e coloque onde o olho cai primeiro.
Escreva por último, quando a parte de experiência já existir, e monte com três peças: seu cargo, sua competência ou área mais relevante e um resultado concreto do qual você se orgulha. Depois corte cada palavra que serviria para qualquer pessoa.
Veja a troca acontecendo. Comece pela versão que quase todo mundo escreve:
Profissional de operações esforçado, com boa comunicação e paixão por eficiência.
Agora troque cada parte vaga por uma prova. Que tipo de operações? Eficiente quanto? Esforçado em quê:
Líder de operações com seis anos em logística de e-commerce. Redesenhei o fluxo de separação de pedidos e baixei o tempo médio de envio de 48 para 19 horas em três centros de distribuição.
A segunda versão tem menos adjetivo e mais fato. "Paixão por eficiência" virou um número que dá para imaginar. Você não alongou nada; trocou enrolação por conteúdo. Se não vier um número à cabeça, cite uma escala: tamanho da equipe, orçamento, produto, região. O concreto é o que torna uma linha impossível de repetir.
Use um resumo quando você tem alguns anos de experiência relevante para mostrar. Use um objetivo, uma frase sobre a vaga para a qual você está indo, quando está começando, voltando depois de uma pausa longa ou mudando de área e a leitura óbvia do seu histórico diz "departamento errado".
O motivo é simples: o resumo olha para trás, para as provas; o objetivo olha para frente, para o encaixe. Se a sua prova está numa área diferente da vaga, começar por ela pode jogar contra você. Quem muda de carreira e escreve no topo "cinco anos de gestão de loja no varejo" convida o recrutador a arquivar o currículo em varejo. Um objetivo reformula: "Gerente de loja em transição para operações, trazendo seis anos de escala, estoque e gestão de equipe." Mesmos fatos, mas agora apontam para a vaga. Se você está bem no início, muitas vezes o mais honesto é tirar o resumo de vez e deixar uma boa seção de competências ou projetos falar, em vez de encher três linhas com coisas que você ainda não fez.
Leia seu resumo e apague tudo que passar neste teste: uma pessoa completamente diferente, num trabalho completamente diferente, conseguiria escrever a mesma frase? "Ótima comunicação", "trabalho em equipe", "atenção aos detalhes", "histórico comprovado" passam nesse teste, e por isso reprovam no seu. Não são bem mentiras, só não têm peso nenhum.
Corte e quase sempre vai sobrar um buraco onde deveria estar um fato. Esse buraco é a parte útil: ele mostra exatamente qual dado concreto está faltando. Preencha com o número real, a ferramenta real, o resultado real, e releia. Ferramentas como o Jobscalr podem ajudar a rascunhar e reescrever essa abertura, mas o teste é o mesmo, tenha a linha sido escrita por uma pessoa ou por uma ferramenta: cada frase precisa ser uma que só você pode fazer com honestidade. Um resumo que passa nesse teste cumpre sua única função, que é comprar os dez segundos seguintes de atenção. O resto da página, principalmente suas conquistas com números, precisa conquistar a leitura depois. Para se aprofundar no que os recrutadores leem primeiro, a seção de currículo do blog entra em mais detalhe.
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