Quantas páginas deve ter um currículo? Uma, duas e o que cortar
Guia prático sobre o tamanho de um currículo: quando uma página basta, quando duas se justificam, o que cortar e o que muda no mercado brasileiro.
Guia prático sobre o tamanho de um currículo: quando uma página basta, quando duas se justificam, o que cortar e o que muda no mercado brasileiro.

Um currículo deve ter uma página se você tem menos de uns dez anos de experiência, e duas quando você realmente consegue preencher uma segunda página com provas relevantes. O que conta é a densidade, não o número de páginas. Corte qualquer linha que não te aproxima da entrevista, por mais curto que o currículo fique.
A maioria dos currículos peca por excesso, não por falta. Quem recruta passa poucos segundos na primeira leitura, e cada linha que não merece o lugar dela empurra para baixo a linha que traria a sua entrevista. Por isso a resposta honesta para "quantas páginas deve ter um currículo" é curta: as que forem necessárias para você defender bem o seu caso, e nem uma linha a mais.
Isso costuma significar uma página no começo da carreira e duas a partir do momento em que você já tem trajetória para preencher. O número de páginas conta menos do que a densidade. Um currículo de duas páginas bem fechado ganha de um de uma página cheio de enchimento, e um de duas páginas com enchimento ganha de você não ter nada. Aqui vai como decidir qual é o seu.
Se você tem menos de uns dez anos de experiência, mire em uma página. Não por causa de uma regra, mas porque provavelmente você ainda não tem duas páginas de provas que valham todas alguma coisa. Uma única página obriga você a escolher o seu melhor material, que é exatamente a triagem que quem lê rápido precisa que você já tenha feito.
Uma página é a opção certa quando você é estudante ou recém-formado, quando está no começo ou no meio da carreira, ou quando muda de área e a maioria dos seus cargos antigos já não defende o novo. Nos três casos, a segunda página se enche de tarefas que ninguém lê.
O risco de uma página não é parecer pouco experiente. É que muita gente reduz a fonte e as margens para espremer duas páginas de conteúdo em uma só, e o resultado é um bloco denso que ninguém quer ler e que um formato compatível com ATS dificilmente lê bem. Se não couber em uma página com um tamanho legível, é sinal para cortar, não para encolher.
Duas páginas estão de boa, e muitas vezes são melhores, assim que você tem mesmo duas páginas de provas relevantes. Os motivos costumeiros são sólidos: uns dez anos de experiência ou mais, um cargo sênior ou de liderança, uma área técnica em que as ferramentas e os projetos concretos contam, ou uma trajetória acadêmica e de pesquisa em que publicações e financiamentos fazem parte do argumento.
O teste não é o seu tempo de casa no papel. É se a segunda página é tão forte quanto a primeira. Se a página dois mostra o seu melhor projeto antigo, uma certificação que vem a propósito e resultados que ainda defendem a vaga que você quer, fique com ela. Se a página dois lista todos os cargos dos anos dois mil e uma seção de "passatempos", então é um bom currículo de uma página com uma segunda página fraca.
Mais uma nota honesta: uma segunda página só conta se estiver cheia. Meia página de conteúdo escorrendo para uma página dois quase vazia passa uma ideia de desleixo. Ou você corta para uma página, ou desenvolve a segunda até ela merecer o espaço.
Quando você precisar encurtar, corte nesta ordem, e a maioria dos currículos tem muito para soltar:
O que você quase nunca corta é um resultado concreto e comprovável, de preferência um que você consiga sustentar com números. Quando estiver entre duas linhas, fique com a que tem provas e jogue fora a que só descreve uma função.
O tamanho é a alavanca errada. A densidade é a certa: quanta prova real cabe no espaço que você ocupa. Uma página cheia de trabalho concreto e comprovável cumpre a sua função, seja uma ou duas. Uma página esticada para parecer substancial joga contra você, porque quem lê tem de atravessar enchimento para encontrar o sinal.
Dois hábitos mantêm a densidade alta. Primeiro, comece cada tópico pelo que resultou do trabalho, não pela tarefa: "construí o relatório semanal que o time de vendas usava para planejar o pipeline" pesa mais do que "responsável pelo relatório". Segundo, nunca invente um número para encher uma linha. Um honesto "tirei o passo de revisão manual do processo de lançamento" ganha de um inventado "melhorei a eficiência em 40%" que se desfaz assim que perguntam na entrevista como você mediu isso. O enchimento não é só espaço desperdiçado, é um risco para a confiança.

Se você se candidata a vagas no Brasil, vale a pena ter em mente alguns hábitos locais. Uma página continua sendo o padrão forte para perfis júnior e plenos, e duas páginas são comuns e esperadas assim que você acumula trajetória, igual aos outros mercados. A diferença está nos detalhes do formato.
Dois pontos contam. Primeiro, muitas candidaturas ainda contam com um currículo organizado por ordem cronológica inversa, com datas claras de cada etapa, então uma lacuna sem explicação salta aos olhos. Segundo, é bom que o tom seja concreto e verificável antes de ser pomposo. Nada disso significa que mais comprido seja melhor. Um currículo focado de duas páginas continua ganhando de uma autobiografia de quatro, e os cortes acima valem da mesma forma. Só significa que o tamanho se decide pelas provas que você tem, não por preencher o espaço.
Decidir o que fica e o que sai é a parte difícil, e muda a cada vaga. O JobScalr é um aplicativo de celular que lê uma vaga concreta contra o seu currículo, te dá uma pontuação de encaixe honesta de 0 a 100 com o raciocínio por trás, e reescreve o seu currículo e a sua carta de apresentação para encaixarem, sem inventar habilidades ou experiência que você não tem. Ele não se candidata sozinho por você, e a leitura final continua sendo sua. Ele só te ajuda a ver quais linhas suas respondem mesmo à vaga, para que a versão que você envia tenha o tamanho que precisa ter e nem uma linha a mais.
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