Como responder a "me fale sobre você" numa entrevista
Um jeito prático de responder a "me fale sobre você" numa entrevista: uma estrutura de presente-passado-futuro, a duração certa e um roteiro para preencher.
Um jeito prático de responder a "me fale sobre você" numa entrevista: uma estrutura de presente-passado-futuro, a duração certa e um roteiro para preencher.

Responda como um discurso de sessenta a noventa segundos sobre por que você encaixa nesta vaga específica, e não como sua biografia. Use a estrutura presente-passado-futuro: comece pelo seu trabalho atual e uma força que a vaga precisa, mostre como você a construiu e feche com por que esta vaga é seu próximo passo.
A primeira pergunta é quase sempre a mesma, e a maioria das pessoas tropeça nela. "Então, me fale sobre você." Uma boa resposta aqui não ganha a entrevista, mas uma ruim abre um buraco do qual você passa a meia hora seguinte tentando sair. A boa notícia: é a única pergunta que você pode preparar por inteiro, porque já sabe que vai aparecer.
O que quem está na sua frente quer ouvir não é a sua biografia. Quer entender, em sessenta a noventa segundos, por que você, em concreto, encaixa nesta vaga. Se você der isso, marca o tom. Aqui está a estrutura que eu uso, a duração que você deve buscar e um roteiro que você pode preencher ainda hoje à noite.
"Me fale sobre você" não é um teste de memória nem um truque para preencher o silêncio inicial. É uma abertura tranquila que, ainda assim, trabalha: deixa a outra pessoa ouvir como você fala quando ninguém te passou um roteiro, e deixa você levar a conversa para onde está o seu melhor material.
Trate isso, então, como um convite e não como uma armadilha. Você não está recitando fatos que já estão no currículo. Você está respondendo a uma pergunta que ninguém disse em voz alta: por que você é a pessoa certa para este trabalho? Tudo o que você decidir mencionar deve servir a essa pergunta. Se um detalhe não serve, vai para outro lugar ou fica de fora.
A forma mais limpa de não se perder são três tempos, nesta ordem.
A ordem não é por acaso. Se você começa pelo presente, o seu eu mais relevante vem primeiro. Uma resposta cronológica, ao contrário, faz quem ouve esperar anos de contexto antes de saber se você sabe fazer o trabalho. O passado fica no meio porque é prova de apoio, não o título. O futuro fica no fim porque entrega a conversa para a frente, muitas vezes direto ao "por que esta empresa?", que costuma ser a pergunta seguinte de qualquer jeito, junto com as perguntas que você faz ao entrevistador.
Busque sessenta ou noventa segundos. Abaixo de trinta você soa pouco preparado ou nervoso. Acima de dois minutos você perde a sala, porque quem te ouve para de ouvir e começa a pensar quando você vai parar.
Sessenta ou noventa segundos são, por alto, três ou quatro frases por tempo, não mais. Esse limite é uma vantagem: obriga você a cortar tudo o que não sustenta nada. Diga em voz alta uma ou duas vezes e se cronometre. Não para decorar um roteiro, que soa rígido assim que os nervos chegam, mas para sentir quanto duram de verdade noventa segundos, e assim acertar sem olhar para o relógio.
A mesma resposta não deveria servir para dois trabalhos diferentes. Se serve, você escreveu uma genérica, e o que é genérico se esquece.
Antes da entrevista, leia o anúncio de novo e procure as duas ou três coisas que está claro que mais importam para ele, de preferência enquanto você se prepara para a entrevista de emprego. Depois garanta que cada uma aparece na sua parte de presente ou de futuro. Você está se candidatando a uma vaga com muito trabalho entre equipes? O seu "presente" cita os projetos em que você coordenou várias equipes. O que importa é entregar rápido? Conte aquela vez em que você levou algo do começo ao fim e colocou no ar. Você não está mentindo nem inventando. Você está escolhendo, de tudo o que é verdade sobre você, as partes que esta sala em concreto precisa ouvir.

Dois erros explicam a maioria das respostas fracas, e ambos vêm de uma leitura ruim da pergunta.
Uma terceira armadilha menor: você se alongar porque nunca decidiu onde parar. É exatamente isso que a estrutura e o limite de tempo travam.
Aqui está um molde para você deixar seu. Coloque os seus dados concretos e corte tudo o que não sirva ao "por que eu para esta vaga".
Presente: "Sou [cargo] na [empresa], onde [cuido de / me foco em] [área]. O que faço melhor é [competência de que o trabalho precisa]."
Passado: "Cheguei aqui por meio de [um ou dois passos]. No caminho [construí / aprendi o que importa aqui]."
Futuro: "Agora quero [o que você quer a seguir], e foi por isso que esta vaga me chamou a atenção: [algo concreto da empresa ou do trabalho que encaixa]."
Três frases por tempo, ditas como uma pessoa, não despejadas. Leia em voz alta, tire o enchimento, e você tem uma abertura segura que consegue dar sem papéis.
Preparar esta resposta é, acima de tudo, saber o que uma vaga concreta quer e colocar por cima a sua experiência real. A JobScalr é um aplicativo de celular que lê um anúncio de emprego contra a sua trajetória, te dá uma pontuação de encaixe honesta de 0 a 100 com o raciocínio por trás, e traz preparação para a entrevista: um pequeno conjunto de estudo montado a partir do anúncio, mais espaço para você praticar as suas próprias respostas em voz alta. Não escreve a sua história por você nem inventa experiência que você não tem. Só te ajuda a ver que partes da sua trajetória vão interessar a esta entrevista em concreto, para que os seus sessenta segundos caiam no que importa.
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