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Entrevistas5 min de leitura

Como responder a "fala-me de ti" numa entrevista

Uma forma prática de responder a "fala-me de ti" numa entrevista: uma estrutura de presente-passado-futuro, a duração certa e um esqueleto para preencher.

A primeira pergunta é quase sempre a mesma, e a maioria das pessoas tropeça nela. "Então, fala-me de ti." Uma boa resposta aqui não ganha a entrevista, mas uma má abre um buraco do qual passas a meia hora seguinte a tentar sair. A boa notícia: é a única pergunta que podes preparar por inteiro, porque já sabes que vai aparecer.

O que quem está à tua frente quer ouvir não é a tua biografia. Quer perceber, em sessenta a noventa segundos, porque é que tu, em concreto, encaixas nesta função. Se lhe deres isso, marcas o tom. Aqui tens a estrutura que uso, a duração a que deves apontar e um esqueleto que podes preencher já esta noite.

O que te estão mesmo a perguntar

"Fala-me de ti" não é um teste de memória nem um truque para preencher o silêncio inicial. É uma abertura suave que, ainda assim, trabalha: deixa a outra pessoa ouvir como falas quando ninguém te passou um guião, e deixa-te levar a conversa para onde está o teu melhor material.

Trata-a, portanto, como um convite e não como uma armadilha. Não estás a recitar factos que já constam do currículo. Estás a responder a uma pergunta que ninguém disse em voz alta: porque és tu a pessoa certa para este trabalho? Tudo o que decidires mencionar deve servir essa pergunta. Se um pormenor não serve, vai para outro lado ou fica de fora.

A estrutura presente-passado-futuro

A forma mais limpa de não te perderes são três tempos, por esta ordem.

  1. Presente. Começa por onde estás agora e o que fazes. Uma ou duas frases: a tua função atual, o tipo de trabalho de que és responsável e uma coisa em que és bom e de que esta vaga precisa.
  2. Passado. Depois, uma linha curta que explique como lá chegaste. Escolhe os um ou dois passos que construíram a competência que importa para a função. Salta o resto. Isto não é uma linha cronológica.
  3. Futuro. Fecha com o porquê de estares naquela cadeira: o que queres a seguir e porque esta função é o passo lógico. É aqui que te ligas a esta empresa em concreto.

A ordem não é por acaso. Se arrancas pelo presente, o teu eu mais relevante vem primeiro. Uma resposta cronológica, pelo contrário, faz quem ouve esperar anos de contexto antes de saber se sabes fazer o trabalho. O passado fica no meio porque é prova de apoio, não o título. O futuro fica no fim porque entrega a conversa para a frente, muitas vezes direto ao "porquê esta empresa?", que costuma ser a pergunta seguinte de qualquer forma.

Fica entre sessenta e noventa segundos

Aponta a sessenta ou noventa segundos. Abaixo de trinta soas pouco preparado ou nervoso. Acima de dois minutos perdes a sala, porque quem te ouve deixa de ouvir e começa a pensar quando é que vais parar.

Sessenta ou noventa segundos são, por alto, três ou quatro frases por tempo, não mais. Esse limite é uma vantagem: obriga-te a cortar tudo o que não sustenta nada. Di-lo em voz alta uma ou duas vezes e cronometra-te. Não para decorares um guião, que soa rígido assim que os nervos chegam, mas para sentires quanto duram mesmo noventa segundos, e assim acertares sem olhar para o relógio.

Adapta ao lugar

A mesma resposta não devia servir para dois trabalhos diferentes. Se serve, escreveste uma genérica, e o que é genérico esquece-se.

Antes da entrevista, lê o anúncio outra vez e procura as duas ou três coisas que é claro que mais lhe importam. Depois garante que cada uma aparece na tua parte de presente ou de futuro. Estás a candidatar-te a uma função com muito trabalho entre equipas? O teu "presente" nomeia os projetos em que coordenaste várias equipas. É de entregar depressa que se trata? Conta aquela vez em que levaste algo do princípio ao fim e o puseste cá fora. Não estás a mentir nem a inventar. Estás a escolher, de tudo o que é verdade sobre ti, as partes que esta sala em concreto precisa de ouvir.

Os erros que a afundam

Dois erros explicam a maioria das respostas fracas, e ambos vêm de uma má leitura da pergunta.

  • A história da tua vida. Começar na universidade, ou pior, na infância, e avançar ano a ano. Quando chegas a algo relevante, a outra pessoa já se foi embora por dentro. Perguntaram por ti no contexto deste trabalho, não pela tua biografia inteira.
  • Recitar o currículo. Devolver-lhes o teu percurso profissional em forma de parágrafo. O currículo já o têm. Repeti-lo não acrescenta nada e desperdiça os teus melhores noventa segundos. A tua resposta falada deve juntar o que o papel não mostra: porque tomaste uma decisão, em que és bom, para onde queres ir.

Uma terceira armadilha menor: alongares-te porque nunca decidiste onde parar. É precisamente isso que a estrutura e o limite de tempo travam.

Um esqueleto para preencher

Aqui tens um molde para fazeres teu. Mete os teus dados concretos e corta tudo o que não sirva ao "porquê eu para esta função".

Presente: "Sou [função] na [empresa], onde [trato de / me foco em] [área]. O que faço melhor é [competência de que o trabalho precisa]."

Passado: "Cheguei aqui através de [um ou dois passos]. Pelo caminho [construí / aprendi o que importa aqui]."

Futuro: "Agora quero [o que queres a seguir], e foi por isso que esta função me chamou a atenção: [algo concreto da empresa ou do trabalho que encaixa]."

Três frases por tempo, ditas como uma pessoa, não debitadas. Lê em voz alta, tira o enchimento, e tens uma abertura segura que consegues dar sem papéis.

Onde entra a JobScalr

Preparar esta resposta é sobretudo saber o que uma função concreta quer e pôr por cima a tua experiência real. A JobScalr é uma app móvel que lê um anúncio de emprego contra o teu percurso, dá-te uma pontuação de encaixe honesta de 0 a 100 com o raciocínio por trás, e traz preparação para a entrevista: um pequeno conjunto de estudo montado a partir do anúncio, mais espaço para praticares as tuas próprias respostas em voz alta. Não escreve a tua história por ti nem inventa experiência que não tens. Apenas te ajuda a ver que partes do teu percurso vão interessar a esta entrevista em concreto, para que os teus sessenta segundos aterrem no que interessa.

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