Como colocar trabalho voluntário no currículo para contar como experiência
As horas de voluntariado contam, mas só quando você as escreve como um trabalho. Onde colocá-las e como redigir a linha.
As horas de voluntariado contam, mas só quando você as escreve como um trabalho. Onde colocá-las e como redigir a linha.
Você passou os últimos dois anos treinando um time de base aos sábados e organizando a recepção de alimentos num banco de comida. Horas de verdade, responsabilidade de verdade, ninguém te pagou. Agora você está preenchendo um currículo e esbarra na pergunta que todo mundo com experiência sem salário conhece: isso conta?, e se conta, vai onde?
Conta. O erro que quase todo mundo comete é tratar o voluntariado como uma nota moral, uma linha lá embaixo que diz "sou uma boa pessoa". Quem recruta não contrata por pontos de caráter. Contrata por provas de que você sabe fazer o trabalho. O voluntariado carrega essas provas tão bem quanto qualquer emprego pago, mas só se você escrever desse jeito.
O essencial
Conta, e quem recruta diz isso na cara. A pesquisa da Deloitte acima mostrou que 82% pesam o voluntariado igual a um cargo pago ao avaliar um candidato, enquanto ele aparece em só um terço dos currículos que recebem. Então a experiência conta, e colocá-la te põe numa minoria que se beneficia disso.
O detalhe está na palavra "experiência". Quem recruta não se impressiona porque você doou tempo a uma causa. Ele lê atrás das mesmas coisas que um emprego pago prova: que você apareceu, se alinhou com gente, cumpriu um prazo, respondeu por um resultado. Treinar um time é liderar pessoas. Tocar uma campanha de doação é logística. Cuidar do caixa de uma associação é trabalho com orçamento. As competências são reais e transferíveis. Sua tarefa no papel é nomeá-las na linguagem que o recrutador já lê, para que o rótulo "sem salário" deixe de importar.
Depende de uma coisa só: o quão perto a atividade está da vaga que você quer. Se um voluntariado usou as mesmas competências que o anúncio pede, coloque-o na seção de Experiência, ao lado dos empregos pagos, com "(voluntário)" no título para ninguém achar que você maquiou um cargo com salário. Essa posição diz a quem recruta que você o considera experiência séria, e mantém seu material mais forte no topo, onde cai o primeiro olhar.
Se a atividade merece aparecer mas está longe do cargo, dê a ela um bloco curto de "Trabalho voluntário" mais abaixo, depois da experiência e da formação. E se você está começando ou cobrindo um buraco, o voluntariado ganha mais espaço que o normal, porque faz o trabalho que sua experiência paga ainda escassa não consegue. O texto sobre montar um currículo sem experiência detalha essa subida.
Use a mesma forma de qualquer linha de emprego: um verbo forte, o que você fez, e então o que mudou por causa disso. A estrutura é idêntica com salário ou sem ele, e é justamente ela que transforma uma linha beneficente em prova.
Pegue o banco de comida. A versão fraca nomeia a atividade e para:
Ajudei num banco de comida local.
A versão que é lida nomeia a ação e o resultado:
Coordenei a recepção de fim de semana de um banco de comida que atende cerca de 120 famílias; reduzi a espera na entrada de 40 para 15 minutos ao refazer a fila.
Mesmo esforço, mesmas horas. A segunda mostra logística, iniciativa e um resultado que quem recruta consegue imaginar. Faça o mesmo com um papel de treinador, uma campanha de doação ou um cargo numa diretoria. Você não infla nada, descreve trabalho real em termos úteis. O mesmo movimento que quantifica qualquer linha do currículo com um resultado vale aqui, com holerite ou sem.
Muitas vezes, sendo honesto. Se você já tem experiência paga relevante que preenche a página, uma linha beneficente sem relação é peso morto que empurra seu melhor material para baixo. Uma corrida solidária solta, uma campanha pontual, qualquer coisa sobre a qual você não falaria dois minutos numa entrevista: deixe de fora. Não passa versatilidade, passa enchimento, e é no enchimento que as afirmações vagas se escondem.
Mais duas decisões. Voluntariado que sinaliza ligação religiosa ou política pode despertar preconceitos que você não controla, então pese se esta empresa precisa disso. E datas que terminaram anos atrás somam pouco se a atividade não foi de peso. Escrevendo seu currículo na mão ou com uma ferramenta como a Jobscalr, o teste não muda: cada linha precisa ser algo verdadeiro que mereça o espaço e que você consiga defender na sala. Fique com as entradas de voluntariado que passam nele, e dê uma olhada no resto dos guias de currículo para as seções em volta.
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