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Currículo4 min de leitura

Verbos de ação para o currículo que não estão batidos (e por que o verbo é o de menos)

Trocar "gerenciei" por "orquestrei" não salva uma linha fraca. Veja como escolher verbos para o currículo que soam fortes sem soar inflados.

O verbo é a menor alavanca de uma linha do currículo. Reescreva primeiro a frase para que ela nomeie um resultado em vez de uma tarefa: aí o verbo certo costuma se escolher sozinho, e quase sempre é simples. Um verbo verdadeiro como conduzi ou construí ganha do inflado toda vez.

Alguém disse que seu currículo soa sem graça, então você abriu o dicionário de sinônimos. "Gerenciei uma equipe" virou "orquestrei uma equipe". "Responsável pelos relatórios" virou "liderei o reporte". Uma hora depois cada linha começa com um verbo que parece que você comandou uma missão espacial, e o conjunto, sem você saber por quê, lê pior do que antes.

Eu já fiz exatamente isso. O instinto está certo: "responsável por" e "gerenciei" estão cansados, e os recrutadores passam batido por eles. Mas o conserto a que quase todo mundo recorre, um verbo maior, é a menor alavanca da página. Um verbo grandioso colado numa frase chata só soa como alguém se esforçando demais.

O essencial

  • Um verbo mais forte não salva uma linha que nomeia uma tarefa em vez de um resultado. Conserte primeiro o que a frase diz e só depois escolha o verbo.
  • "Responsável por", "gerenciei" e "auxiliei em" são as fórmulas que os recrutadores mais veem. Uma análise da Jobscan sobre 111 milhões de currículos achou "managed" em cerca de 9,1 milhões deles.
  • Recorrer a "orquestrei" ou "liderei" quando o trabalho foi comum lê como inflado. O verbo simples e verdadeiro (conduzi, construí, resolvi) ganha sempre do impressionante e falso.

Por que "responsável por" deixa uma linha fraca?

Porque "responsável por" descreve uma descrição de cargo, não uma pessoa fazendo algo. Conta ao recrutador o que caiu na sua mesa, não o que você fez com aquilo nem o que mudou porque você estava lá. Também soa passivo: algo era sua responsabilidade, e isso está a um passo de "eu fiz acontecer".

Veja a diferença. "Responsável pelo processo de integração" pode ter sido escrito por quem melhorou a integração ou por quem só estava por perto. "Refiz a integração para que os novatos ficassem produtivos na primeira semana em vez de na terceira" só quem fez consegue escrever. Mesmo cargo, sinal completamente diferente. A fórmula não é descartada por ser feia. Ela é fraca porque é tão segura que qualquer um no cargo poderia tê-la escrito, o que significa que não prova nada sobre você.

Um verbo mais forte é mesmo a solução?

Sozinho, não. Essa é a parte que as listas gigantes de verbos pulam. Veja o que acontece quando você melhora só o verbo: "Orquestrei o arquivo do escritório." O verbo agora é enorme e a conquista continua sendo arquivar. A distância entre os dois é exatamente onde você soa inflado, e o recrutador lê essa distância em meio segundo.

A edição de verdade é estrutural. Troque "[verbo] + [tarefa]" por "[verbo] + [o que mudou]". Assim que há um resultado na frase, o verbo certo costuma se escolher sozinho, e muitas vezes é um simples. "Reduzi o fechamento mensal de cinco dias para dois" não precisa de nenhum verbo de força; "reduzi" já faz o trabalho. Então conserte o conteúdo da linha antes de mexer no vocabulário. O dicionário de sinônimos enfeita a frase que você tem. Não consegue te dar algo melhor para dizer. Se quiser um passo a passo mais a fundo para transformar tarefas em resultados, veja como escrever conquistas que mostram impacto.

Quais verbos estão mais batidos num currículo?

Os que descrevem participação sem se comprometer com um resultado: "responsável por", "encarregado de", "liderei", "auxiliei em", "trabalhei em", "apoiei em" e "participei de". Os recrutadores leem isso milhares de vezes por temporada, então elas escorregam da página. A análise da Jobscan colocou "managed" em cerca de 9,1 de 111 milhões de currículos, o que mostra como a palavra ficou invisível.

Mas no outro extremo espreita a próxima armadilha. Os substitutos "fortes" também se gastam. "Orquestrei", "liderei", "impulsionei" e "alavanquei" já estão tão repetidos no mesmo cargo que as ferramentas de currículo avisam abertamente contra eles. Recorrer ao sinônimo mais chamativo em cada linha é a sua própria denúncia: lê como alguém que achou uma lista, não como alguém que descreve trabalho real. A meta é variedade que encaixa, não um desfile de superlativos. Se quinze linhas abrem todas como um comunicado de imprensa, o recrutador para de acreditar em qualquer uma.

Como escolher um verbo sem soar inflado?

Ajuste o verbo ao que de fato aconteceu e depois pegue a palavra mais simples que ainda seja exata. Faça uma pergunta por linha: que tipo de mudança eu provoquei? Se você fez algo crescer, um verbo de crescimento ("aumentei", "ampliei", "expandi") é honesto. Se consertou algo, encaixa um verbo de reparo ("resolvi", "refiz", "corrigi"). Se construiu algo, basta "construí" ou "projetei".

O teste honesto é se você diria o verbo em voz alta numa entrevista sem se encolher. "Impulsionei o lançamento" soa bem no papel e meio ridículo falado, se o lançamento foi um projeto normal. "Conduzi o lançamento e coloquei no ar duas semanas antes" aguenta as duas coisas. Quando o verbo verdadeiro é modesto, é um sinal: o que precisa de trabalho é a sua conquista, não o seu vocabulário. Um verbo concreto e comum com um resultado real sempre ganha de um verbo grandioso com um vago. A mesma disciplina com que você adapta cada linha à vaga vale aqui: diga o verdadeiro nas palavras mais claras e deixe o resultado carregar o peso. Tem mais sobre isso na seção de currículo do blog.

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