Como te candidatares a empregos sem esgotar
Um sistema semanal sustentável para te candidatares a empregos sem esgotar: limita o tempo, protege as tuas noites e aguenta o silêncio sem te abateres.
Um sistema semanal sustentável para te candidatares a empregos sem esgotar: limita o tempo, protege as tuas noites e aguenta o silêncio sem te abateres.
Podes manter a tua procura de emprego durante meses sem que ela tome conta da tua vida. A versão que destrói as pessoas é a que não tem fim à vista: candidatares-te em cada minuto livre, espreitar o correio entre tarefas e julgar a semana inteira consoante alguém respondeu. Isto não é empenho. É um sistema sem margens, e é precisamente a falta de margens que te esgota.
Uma procura tem uma meta que não vês a partir da partida. Por isso o objetivo não é um sprint. O objetivo é continuares de pé, e continuares a enviar boas candidaturas, na semana dez. Aqui fica uma forma de a conduzires que aguenta.
O esgotamento numa procura de emprego raramente vem do trabalho em si. Vem de esse trabalho não ter limite e se infiltrar no jantar, no fim de semana, no instante mesmo antes de adormeceres.
A solução são paredes. Decide esta semana quando te candidatas e quando não. Dois blocos concentrados em dois ou três dias chegam para a maioria das pessoas: um para encontrar e selecionar vagas, outro para escrever e enviar de facto. Fora desses blocos, a procura está fechada. O separador está desligado. Tens permissão para não pensar nela.
Ao início isto parece pouco, porque o conselho que mais se ouve diz que o volume é tudo. Mas uma candidatura cansada enviada às onze da noite não é melhor do que nenhuma. Costuma ser pior, porque é aquela que mandaste para uma vaga que não querias mesmo, com uma frase que não sentias mesmo.
Dentro desses blocos, põe um relógio no trabalho. Sem ele, uma única candidatura estica-se até encher uma noite inteira, fazes três em vez das oito que tinhas planeado e ficas com a sensação de estar atrasado.
Um alvo razoável é quinze a vinte e cinco minutos por candidatura: ler o anúncio, decidir com honestidade se encaixas, ajustar o topo do teu currículo à vaga e escrever uma carta de apresentação curta que responda ao trabalho real. Quando o temporizador toca, a candidatura termina. Se uma vaga não te merece vinte minutos concentrados, isso diz-te algo sobre a vaga, não sobre ti.
O limite de tempo também tira o ar ao perfecionismo. Não estás a escrever a melhor carta de apresentação de sempre. Estás a responder com clareza a um anúncio e a passar ao seguinte.
Escolhe uma hora a que a procura para por hoje e cumpre-a. Passada essa linha: nada de portais de emprego, nada de espreitar o correio, nada de afinar o currículo mais uma vez.
Isto conta mais do que parece. A procura de emprego é especialmente boa a roubar-te tempo de descanso, porque há sempre mais uma coisa que poderias estar a fazer. Mas o descanso não é um prémio que ganhas quando a procura corre bem. É o que te permite continuar a procurar. Uma caminhada, um jantar a sério, uma série, um amigo que não te pergunta como vai a coisa: isso faz parte do sistema, não é uma pausa dele.
Se deixares a procura correr até adormeceres, cada noite vira trabalho e não tens onde pousar o dia.
A maioria das candidaturas não tem resposta, e o silêncio é a parte que mais desgasta. Fizeste o trabalho e não voltou nada, e é fácil ler isso como um veredicto sobre ti.
Quase nunca é. Uma não resposta quase nada te diz: há vagas que são preenchidas internamente, orçamentos que congelam, outras cem pessoas que se candidataram, anúncios que eram meia formalidade. Raramente saberás qual deles foi. Por isso, para de te avaliares por um sinal que não carrega informação.
Algumas coisas que ajudam:
Quando o grande resultado, uma proposta assinada, está longe e pode demorar semanas, precisas de vitórias mais pequenas para te manteres firme. Caso contrário, todo o percurso parece pura perda.
Por isso, define vitórias que consigas mesmo alcançar esta semana. Enviaste as três candidaturas que tinhas planeado. Arranjaste aquela linha do currículo que nunca gostaste. Escreveste uma mensagem honesta a alguém de uma área que te interessa. Nenhuma delas garante um telefonema, e é esse o ponto: consegues fazê-las por completo, seja como for que o mercado se comporte. Deixa-as contar. Uma semana em que te candidataste bem é uma boa semana, mesmo que o correio continue calado.
Às vezes o mais acertado é parares uns dias. Não desistir, parar.
Se cada candidatura parece arrastar um peso, se estás a enviar trabalho pior só para enviar alguma coisa, se a procura é a única coisa na tua cabeça de manhã à noite, isso não é preguiça. É o sinal para dares um passo atrás. Tira três dias de folga da procura de propósito. As vagas continuarão lá. Descansado escreves melhores candidaturas do que exausto, e os poucos formulários que terias espremido à força, vazio, não iam aterrar em lado nenhum de qualquer forma.
Uma procura que aguentas vence um sprint que abandonas na semana três.
A parte que mais depressa desgasta as pessoas é o trabalho por candidatura: ler o anúncio, decidir se encaixas, reescrever o topo do currículo de cada vez. O JobScalr é uma app móvel que lê um anúncio concreto contra o teu currículo, dá-te uma pontuação de correspondência honesta de 0 a 100 com o raciocínio por trás, e reformula o teu currículo e a tua carta de apresentação para encaixarem, sem inventar competências ou experiência que não tens. Não se candidata por ti, e a última leitura continua a ser tua. Foi feito para um número pequeno de candidaturas bem dirigidas que consigas aguentar, não para um sprint de volume que te esvazia.
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