Como negociar uma proposta de emprego sem perdê-la
Como negociar uma proposta de emprego quando você tem medo de pedir demais: por que a proposta quase nunca cai, qual e-mail funciona e o que dá para negociar além do salário.
Como negociar uma proposta de emprego quando você tem medo de pedir demais: por que a proposta quase nunca cai, qual e-mail funciona e o que dá para negociar além do salário.
O e-mail com a proposta chega e seus ombros relaxam. Depois de semanas enviando candidaturas e do silêncio entre uma e outra, alguém finalmente disse sim. O número está um pouco baixo, e uma voz baixinha diz que você poderia pedir mais. Uma mais alta diz para não ser ganancioso, aceitar antes que mudem de ideia. Então a maioria assina o primeiro número que colocam na frente e fica anos se perguntando o que aquela conversa teria custado.
Quase nada. A parte difícil já passou. Eles escolheram você, disseram ao chefe que escolheram você e não estão a fim de recomeçar a busca. É exatamente por isso que você tem margem para conversar.
O essencial
Quase nunca, se você for educado e específico. Uma proposta é o fim de um processo longo e caro, e retirá-la por causa de um pedido respeitoso de mais dinheiro significaria recomeçar tudo e explicar isso ao próprio chefe. Recrutadores e especialistas em negociação contam a mesma coisa: um pedido profissional e com dados não custa a vaga de ninguém. O que derruba uma proposta é raro e evitável: um ultimato, um número sem nada por trás, ou sumir uma semana e voltar com exigências.
O medo é real, o risco não. A Glassdoor coloca em mais de 70% quem espera uma negociação, então ficar calado chama mais atenção do que perguntar. Trate a contraproposta como ela é para eles: um passo normal que já viram cem vezes.
Peça um tempo primeiro e depois mande uma contraproposta curta por escrito. Assim que a proposta chegar, diga que ficou feliz e que gostaria de um ou dois dias para analisar. Isso tira a pressão de responder na hora e dá espaço para escrever algo calmo. Depois, quatro parágrafos curtos: agradecimento, valor, prova, número.
Agradeça e diga que quer aceitar. Repita, em uma linha, aquilo de concreto que você traz e que encaixa no que eles precisam. Aponte para dados de mercado para a vaga, a região e o seu nível (Levels.fyi, Glassdoor e dados de transparência salarial são as fontes de sempre). Então diga um número: "Com isso em mente, conseguimos deixar a base em 9.000?"
Um número, não uma faixa. Se você diz "entre 8 e 9 mil", acabou de avisar que 8 mil serve, e é isso que vai receber. Escolha o número que de fato te deixaria feliz e fique nele. Cordial, no máximo uma tela, e depois do pedido você para de falar.
Mais do que a base, e às vezes a base é a única coisa que não se mexe. As empresas costumam ter uma faixa fixa para a vaga, mas margem real em todo o resto. Se a resposta sobre o salário for um não firme, esse é o seu sinal para virar a conversa, não para encerrá-la.
O que costuma estar na mesa:
Peça um ou dois, não a lista inteira. Comece pelo que mais importa para você, para que saibam qual alavanca de fato fecha o acordo.
Às vezes aceitar é o caminho honesto. Se a proposta já está no topo da faixa para a vaga e a sua experiência, talvez não haja margem, e brigar por mais mil pode azedar a relação antes do primeiro dia. No setor público e em cargos com acordo coletivo costuma haver tabelas salariais fixas em que o número realmente não se mexe. E se você aceitaria a proposta do jeito que está, numa boa, não precisa inventar uma negociação para provar algo.
O caso que vai ao contrário: uma proposta claramente baixa, bem abaixo dos dados de mercado, junto com pressão para assinar hoje. Aí vale insistir, e a pressão em si já diz algo sobre como trabalham ali.
O princípio viaja; as alavancas mudam. Quase todo conselho na internet é escrito para os Estados Unidos, onde o salário-base é o botão principal. No Brasil, muita coisa é negociada no pacote: benefícios, vale, plano de saúde, bônus, data de início, dias de home office. Em cargos com acordo ou convenção coletiva, a base pode estar mesmo fixada, e aí você direciona a conversa para o que está em volta. A transparência salarial também vem crescendo, o que deixa os dados de mercado por trás do seu pedido mais fáceis de achar e mais difíceis de ignorar do que antes.
Uma busca que te leve até a proposta é a parte difícil, e nos guias de procura de emprego tem mais sobre como sustentá-la.
Negociar é o último passo, e ele é todo seu. No que o JobScalr ajuda é em tudo antes disso: chegar até a proposta. É um app de celular que lê uma vaga específica contra o seu currículo, te dá uma pontuação honesta de 0 a 100 com o raciocínio por trás e reescreve seu currículo e sua carta de apresentação para encaixar na vaga, sem inventar experiência que você não tem. Ele não se candidata por você nem negocia por você. Só faz a versão que você envia bater com o que a vaga pede, para que mais das suas candidaturas virem aquela proposta sobre a qual você vai poder conversar.
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